terça-feira, 5 de junho de 2007
domingo, 20 de maio de 2007
quinta-feira, 17 de maio de 2007
UFPB
Nome: Caio F. Gomes
Introdução á comunicação
Hegemonia do mérito
Anos de indiferenças regem o nosso passado. Séculos de atrocidades seguram nosso teto de vidro. A abstração dos discursos políticos declamados pelos nossos ditos representantes – legitimados por uma constituição – sugere uma volta no tempo. Ao passado, onde estão fincadas nossas raízes culturais. Raízes que fazem a conexão com a terra, sustentando o tronco chamado civilização.
Para atingir todo o esplendor e elegância das folhas e frutos – que devem ser entendidos como as gerações futuras de filhos da terra, na analogia aqui feita pelo autor – que todo o processo, a busca pela harmonia, virá a produzir, é preciso ter a compreensão do que significa diversidade e alteridade nos termos propostos pelo nosso Ministro da Cultura. Deve-se separar, com repúdio, diversidade cultural de diferença social. A idéia de discutir os caminhos republicanos para atingir a harmonia social, cultural e econômica de uma nação não pode partir da abstração de verdadeiras chagas, como a escravidão e o genocídio, que ainda encontram seus reflexos nos dias atuais.
A falsa idéia de mérito pregada pelo modo de organização neoliberal da sociedade moderna é um efeito nocivo dos antigos ideais de civilização, dito em outras palavras pelo Ministro que ainda acrescenta, “esse raciocínio é bem contemporâneo, tem boa influência e é parte da premissa de que o mérito é, na verdade, o talento e o esforço de indivíduos, de pessoas que lutam e largam em iguais condições”. O talento vai muito mais além do mérito dado pelo Estado que governa. Se os indivíduos largam em condições desleais é porque já nascem sob o ferro da desigualdade. São condicionados a permanecer na casta. O simples mérito serve apenas para nivelar. O Estado em seu novo papel deve absorver as premissas de diversidade e alteridade. As novas tecnologias não permitem mais o isolamento, mesmo que virtual, dos indivíduos. Os “prossumidores” – que consomem enquanto produzem e produzem enquanto consomem, nas palavras de Gil – revolucionaram a lógica do mercado cultural. O Estado deve fomentar a celebração desta diversidade entre os povos.
Nunca se deve começar a trilhar um caminho sem antes olhar para trás. Pode-se estar indo para o lado errado. Que os ditos representantes – legitimados por uma constituição – pensem bem nisso antes de aprovar qualquer projeto na área cultural. Que o nosso Ministro da Cultura siga proferindo discursos tão belos, mas que os coloque na pauta da câmara de vez em quando. E que Deus, Alá, Oxum, Tupã, Buda ou Frei Galvão nos ajudem a atingir a harmonia.
segunda-feira, 14 de maio de 2007

Estômago & Sexo
No caminho até o quarto do Texas Hotel, o cheiro do almoço, que pode ser qualquer coisa para acompanhar a carne, invade as narinas embriagadas do Sr. Isaac... Essa e outras seqüências do filme Amarelo manga, de Cláudio Assis, causam sensações fortes naqueles que assistiram a obra.
Um trecho da crônica do autor Renato Carneiro Campos retrata bem a amarelidão do cenário: “Amarelo é a cor das mesas, dos bancos, dos tamboretes, dos cabos das pexeiras, da enxada e da estrovenga. Do carro de boi, das cangas, dos chapéus envelhecidos, da charque. Amarelo das doenças, das remelas dos olhos dos meninos, das feridas purulentas, dos escarros, das verminoses, das hepatites, das diarréias, dos dentes aprodecidos... Tempo interior amarelo. Velho, desbotado, doente.” O filme é amarelo. Sim. Literalmente Amarelo. Em todas as cenas, deixa transparecer o amarelo do fim de tarde de Recife. O mormaço do fim do dia. A palidez daquele pessoal. A carne é o fio que liga os diversos tipos de personagens e suas rotinas. Aquilo que traz à tona a unicidade que faz de nós o que realmente somos, humanos! Estômago e sexo.
O sexo é forte. Às vezes, casual; outras, visceral. O filme retrata de forma crua todo o emaranhado de desejos, vícios, segredos e aspirações dos personagens. Revela, de uma perspectiva nova e instigante, a periferia a partir do que ela tem de peculiar. Tudo é exatamente o que parece ser à primeira vista. Nada fica embaixo dos panos, ou dos lençóis.
A reflexão existencial filosófica sobre o homem fica por conta dos “filósofos de boteco”, tão comuns em bares como o Esquina. As mulheres são fortes e decididas, como precisam ser. A morte vem como trágico fim, mas também como início de um novo ciclo que virá a seguir pelas mesmas vielas amareladas de Olinda. Ao final, todos se encontram para o jantar. A comida é posta na mesa, e a conversa é posta em dia. Tudo num tom amarelo, um amarelo-manga.
Sexo, sexo, sexo ... Pó ... Sexo e sexo!
Todos "sexam". Transar está em desuso. Cheirar é cult. Tudo parte do grotesco. O tema do 3º Cineport, festival de cinema que reúne produções dos paíse de língua portuguesarealizado na cidade, parece ser mesmo o grotesco. Filmes como Fúria e A concepção - só para citar os mais empenhados - abusam do escárnio, do tratamento escatológico dado ao cotidiano. O ridículo ganha espaço no terreno da realidade tratada pelos roteiros, possíveis ganhadores dos prêmios oferecidos pelo festival.
O curta-metragem Fúria, ficção de Marcelo Laffitte (Brasil), em especial, chama a atenção pela performance. Os atores iniciam um ritual de autofagia, regado a heroína e sexo, em meio a citações filosóficas. Os Deuses e semideuses gregos são exaltados servindo de trilha para o estupro concedido que se desenrola. Uma relação bizarra em que "ele" parece ser o cafetão que ama sua única puta. Já "ela", depois de ser violentada com amor, vai para a rua. Para a lida. A noite reserva diversão, sexo e drogas. Ela sustenta o vício. Volta sempre para casa com mais pó e seringas novas. A poesia paira no ar como vapor resultante da transpiração daqueles corpos que exalam alcalóides e morfina sintetizados. Suor podre e cheiro de carne suja. Por fim, e não menos clássico, ela se afoga no próprio vômito tendo que engolir aquilo que acabara de rejeitar. Poesia em forma de lixo.
Parece ser uma tendência da produção cinematográfica brasileira nos últimos anos, retratar de forma crua a realidade como ela acontece de fato. Um verdadeiro movimento vanguardista , levado à cabo por nomes que ebulem no mercado. Deles, Fernando Meirelles talvez tenha sido responsável por um marco no cinema nacional que foi o filme Cidade de Deus. O longa levou o lado negro - em todos os sentidos da palavra - dos morros cariocas às telas do mundo inteiro. Ficção-realidade para inglês ver. Uma obra que assusta pela violência que retrata, e da qual a maioria dos brasileiros têm conhecimento. Mas que quando jogada na face causa engodo e mal-estar.
Para que não fiquem dúvidas sobre o tipo de crítica que é aqui escrita, adianto que tal movimento, a que me referi como de vanguarda, é digno de aplausos. A vida deve ser - salvo belíssimas excessões - retratada como ela é. Mas talvez, não mais que talvez, o vírus da moda já tenha infectado esse tipo de produção. Tantas substâncias e tanto sexo juntos formam uma mistura explosiva, que é apreciável até pouco antes de explodir. A força com que se está retratando estes temas acaba por causar asco naqueles que vão ao festival em busca de algo fantástico. Estaremos fadados ao cinema local ? Conseguirá o homem-aranha atender a nossas necessidades ? A boa e velha ficção está sendo patenteada por Hollywood (a que não é nordestina) ? Afinal, assistir em ordem sequencial mulheres alucinadas afogando-se em vômito ; homens transtornados fazendo sexo a três em alguma boite da zona ; irmãs desajustadas que transam na banheira, enquanto a mãe assiste a televisão na sala, depois de uma noite de orgias ; meninas que relatam suas fantasias sexuais em diários pessoais, e senhoras completamente chapadas que não falam nada com nada, não pode ser - nem é - tão agradável assim. Ao que parece, a criatividade deu lugar a mediocridade do real.


