UFPB
Nome: Caio F. Gomes
Introdução á comunicação
Hegemonia do mérito
Anos de indiferenças regem o nosso passado. Séculos de atrocidades seguram nosso teto de vidro. A abstração dos discursos políticos declamados pelos nossos ditos representantes – legitimados por uma constituição – sugere uma volta no tempo. Ao passado, onde estão fincadas nossas raízes culturais. Raízes que fazem a conexão com a terra, sustentando o tronco chamado civilização.
Para atingir todo o esplendor e elegância das folhas e frutos – que devem ser entendidos como as gerações futuras de filhos da terra, na analogia aqui feita pelo autor – que todo o processo, a busca pela harmonia, virá a produzir, é preciso ter a compreensão do que significa diversidade e alteridade nos termos propostos pelo nosso Ministro da Cultura. Deve-se separar, com repúdio, diversidade cultural de diferença social. A idéia de discutir os caminhos republicanos para atingir a harmonia social, cultural e econômica de uma nação não pode partir da abstração de verdadeiras chagas, como a escravidão e o genocídio, que ainda encontram seus reflexos nos dias atuais.
A falsa idéia de mérito pregada pelo modo de organização neoliberal da sociedade moderna é um efeito nocivo dos antigos ideais de civilização, dito em outras palavras pelo Ministro que ainda acrescenta, “esse raciocínio é bem contemporâneo, tem boa influência e é parte da premissa de que o mérito é, na verdade, o talento e o esforço de indivíduos, de pessoas que lutam e largam em iguais condições”. O talento vai muito mais além do mérito dado pelo Estado que governa. Se os indivíduos largam em condições desleais é porque já nascem sob o ferro da desigualdade. São condicionados a permanecer na casta. O simples mérito serve apenas para nivelar. O Estado em seu novo papel deve absorver as premissas de diversidade e alteridade. As novas tecnologias não permitem mais o isolamento, mesmo que virtual, dos indivíduos. Os “prossumidores” – que consomem enquanto produzem e produzem enquanto consomem, nas palavras de Gil – revolucionaram a lógica do mercado cultural. O Estado deve fomentar a celebração desta diversidade entre os povos.
Nunca se deve começar a trilhar um caminho sem antes olhar para trás. Pode-se estar indo para o lado errado. Que os ditos representantes – legitimados por uma constituição – pensem bem nisso antes de aprovar qualquer projeto na área cultural. Que o nosso Ministro da Cultura siga proferindo discursos tão belos, mas que os coloque na pauta da câmara de vez em quando. E que Deus, Alá, Oxum, Tupã, Buda ou Frei Galvão nos ajudem a atingir a harmonia.


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