segunda-feira, 14 de maio de 2007






Estômago & Sexo




No caminho até o quarto do Texas Hotel, o cheiro do almoço, que pode ser qualquer coisa para acompanhar a carne, invade as narinas embriagadas do Sr. Isaac... Essa e outras seqüências do filme Amarelo manga, de Cláudio Assis, causam sensações fortes naqueles que assistiram a obra.

Um trecho da crônica do autor Renato Carneiro Campos retrata bem a amarelidão do cenário: “Amarelo é a cor das mesas, dos bancos, dos tamboretes, dos cabos das pexeiras, da enxada e da estrovenga. Do carro de boi, das cangas, dos chapéus envelhecidos, da charque. Amarelo das doenças, das remelas dos olhos dos meninos, das feridas purulentas, dos escarros, das verminoses, das hepatites, das diarréias, dos dentes aprodecidos... Tempo interior amarelo. Velho, desbotado, doente.” O filme é amarelo. Sim. Literalmente Amarelo. Em todas as cenas, deixa transparecer o amarelo do fim de tarde de Recife. O mormaço do fim do dia. A palidez daquele pessoal. A carne é o fio que liga os diversos tipos de personagens e suas rotinas. Aquilo que traz à tona a unicidade que faz de nós o que realmente somos, humanos! Estômago e sexo.


O sexo é forte. Às vezes, casual; outras, visceral. O filme retrata de forma crua todo o emaranhado de desejos, vícios, segredos e aspirações dos personagens. Revela, de uma perspectiva nova e instigante, a periferia a partir do que ela tem de peculiar. Tudo é exatamente o que parece ser à primeira vista. Nada fica embaixo dos panos, ou dos lençóis.


A reflexão existencial filosófica sobre o homem fica por conta dos “filósofos de boteco”, tão comuns em bares como o Esquina. As mulheres são fortes e decididas, como precisam ser. A morte vem como trágico fim, mas também como início de um novo ciclo que virá a seguir pelas mesmas vielas amareladas de Olinda. Ao final, todos se encontram para o jantar. A comida é posta na mesa, e a conversa é posta em dia. Tudo num tom amarelo, um amarelo-manga.

4 comentários:

Chá Filosófico disse...

Filmes;
realidade paralela
ou mais verdadeira, sem os tapumes sociais...
Amarelo como o sorriso dos deputados... e da população dentro de seus carros dizendo que "hoje não tem aquela moedinha"!

ah
estamos crescendo nesse meio
que seja em todos!

Enivrez-Vous disse...

Pra quem falou que era difícil escrever como esses jornalistas de carreira, começou bem.

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

que texto merda!!

claro que eu não diria isso né Felipe??
Primeiro pq minha elegância e fineza não permitiriam um comentário tão podre.Depois vc iria ficar frustrado e não mais conseguiria escrever.

Portanto digo que o texto está muito legal, seu estilo é parecido com o de um amigo meu (cp), linguagem pesada...mas o blog é seu né?
Então vá em frente e bote todo o seu potencial pra fora.
Esses textos foram só os primeiros de uma das series de mil que vem por ai!!

xero